coyta coyto José Paulo Paes  Comentando o texto: Achei interessantíssimo este pequenino texto e resolvi comentá -lo brevemente.Ao ler este texto aleatoriamente, parece-nos que não contém nada. Estamos redondamente enganados, pois ele nos passa um conhecimento literário bem interessante. Para que isso aconteça é preciso analise e estudos literários. O título acima aciona um conhecimento de mundo. Cantiga de amigo é um tipo de poesia trovadoresca, ou seja, é um gênero que pertence às primeiras manisfestações literárias em língua portuguesa. Nele, o poeta coloca-se no lugar da amada como se ela narrassse o amor que dedica ao amigo (o homem que ela ama). Pode-se dizer que a cantiga de amigo é composta de dísticos (unidades formadas de dois versos), e sua unidade rítmica é um par de dísticos os quais dizem basicamente a mesma coisa. Coyta é uma palavra fundamental na lírica trovadoresca, significa "sofrimento de quem ama". Esse termo está ligado à palavra moderna coitado, que quer dizer "mísero, desgraçado, infeliz". Coito, grafado coyto, numa imitação de ortografia antiga, significa 'cópula, união sexual'. Na verdade essas duas palavras não têm na origem nenhum parentesco, têm apenas uma semelhança fonética. A partir desses conhecimentos de mundo e da linguagem, podemos atribuir um sentido global ao poema: uma cantiga de amigo constrói-se com os seguintes elementos mínimos ( minicantiga): no plano do conteúdo, uma mulher e um homem ( uma palavra é feminina e outra masculina; são em tudo semelhantes, exceto no a/o finais , marcas do feminino e do masculino), o sofrimento do amor (coyta) e a união sexual dos amantes (coyto); no plano de expressão o dístico. Para se construir uma cantiga de amigo em uma poesia trovadoresca é necessário a expressão completa da mulher pelo seu amigo que é seu amante. Na poesia trovadoresca existem a cantiga de amigo, amor, escárnio e mal dizer.Em literatura portuguesa ocorre exatamente o contrário. As cantigas de amigo exaltava o amor que a amada tinha pelo seu amigo, amante. Assim, o poema acima analisado ensina o mínimo indispensável para a construção de uma cantiga de amigo.
Rose®2008
 | Soneto | Jun 13, '08 11:25 AM for everyone |
Tombou da haste a flor da minha infância alada, Murchou na jarra de oiro o púdico jasmim: Voou aos altos céus a pomba enamorada Que dantes estendia as asas sobre mim. Julguei que fosse eterna à luz dessa alvorada, E que era sempre dia, e nunca tinha fim Esta visão de luar que vivia encantada Num castelo ideal com torres de marfim! Mas hoje as pombas de oiro, aves de minha infãncia, Que me enchiam de lua o coração outrora, Partiram e no céu evocam-se a distância! Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais: Voltam na asa do vento os ais que a alma chora, Elas, porém Senhor! elas não voltam mais... Antônio Nobre
Comentando o soneto: Ao lermos este soneto fica-nos o travo da desilusão, a margura de perder o que nunca mais se recupera. As metáforas nos impressionam com sua doçura e riqueza, às quais vêm transmitir uma visão encantada dos anos de meninice. Segundo o poeta, a infãncia é alada, tem asas, talvez porque o pensamento infantil voa a cada instante para o reino da fantasia, talvez porque a criança é um anjo, pela sua pureza, ainda visível. Nobre escolheu uma flor," um púdico jasmim" para simbolizar esta candura perdida. O jasmim é branco, de perfume penetrante mas suave. Também as crianças têm a graça, o perfume, a brancura da alma. O adjetivo pudico estabeleceu, no espírito do poeta, a ligação entre a flor e a criança: ambos possuem a castidade e a inocência. Vejam em tudo isto a delicadeza da arte do poeta. Ele pôs de lado os processos declamatórios, a eloquência romântica, os meios diretos e demasiados conhecidos, para nos dizer que terminou o sonho de sua meninice, a alegria da visão imaculada. Nobre fala-nos da flor que também tombou da haste, do jasmim que murchou num vaso de oiro, da pomba enamorada que sumiu no azul e nunca mais voltou. Todo o soneto é construído sobre estas metáforas brilhantes, desde as pombas de oiro às torres de marfim. Somos levados a aludir ao Simbolismo de Antônio Nobre, à preferência pela magia das insinuações diretas. Na verdade, o simbolismo não passou a princípio, duma reação contra o processo de mostrar às coisas, francamente dando-as pelo nome prórpio sem rodeio nem véu. Percebemos no soneto a representação da candura, da infância por uma flor branca, o mundo fantástico das crianças por um castelo de marfim. O poeta foi portanto, espontâneo. Escreveu com o sangue de suas veias. Mas não foi apenas um homem que sofreu, porque fez dos pedaços de sua dor filigramas de beleza e harmonia.Ele próprio disse uma vez:"A dor que dura sempre produz o prazer que não dura mais que um momento". Esse momento de que fala Nobre é, sem dúvida, o momento da criação poética. E é neste momento que ocorre a transfiguração. Percebemos claramente quando metaforiza a palavra "lua"=aves na minha infância.Seguindo assim o mundo saudoso do poeta. No último terceto, Nobre lança uma queixa dolorida e todavia humilde e resignada. Ele não renega ao Senhor, embora tenha clamado antes de chorar. A rapidez saltitante do segundo verso composto por palavras curtas, parece trazer o eco dos ais do poeta, vindos nas asas do vento. O último verso é uma frase sentimental: a primeira parte, ascendente é um grito de alma; a segunda parte, é um suspiro de aceitação.
 | O bicho | Apr 9, '08 8:23 AM for everyone |
Vi ontem um bicho na imundície do pátio Catando comida entre os detritos Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão Não era um gato, Não era um rato.
O bicho, meu Deus era um homem. Manuel Bandeira Comentando o texto: Neste poema, Bandeira utiliza o processo de metaforização em busca de uma unidade de ação sintetizada.Unidade esta que mostra a metáfora de base animal nele contido. Observamos através de sequências frasais, o processo de animalização marcado pela degradação humana, colocando o homem em nível dos animais. Podemos ver isto claramente através dos verbos de ação: catando, achava, examinava, cheirava, e engolia. Notamos que estas ações são colocadas num eixo de referência contínuo, possuindo assim uma profunda coerência semântica. É enfático que este poema é de cunho social, onde o poeta expressa em uma linguagem simples, mas ao mesmo tempo profunda, pois serve para alertar-nos sobre o que acontece na sociedade em que vivemos. Os substantivos presentes (imundície, comida, detritos, coisa e voracidade) possuem um mesmo campo semântico, conotando assim um traço disfêmico, porque eles contêm um sema não-humano, reforçando assim o núcleo metafórico bicho numa dinâmica concentradora. E isso é constante através de metáforas periféricas (cão, gato, rato) evidenciando o caráter animalizante patente. Percebemos que o poeta expõe nas entrelinhas a sua visão de um mundo degradante através de metáforas de base animal, onde o próprio utiliza de um vocativo (Meu Deus) mostrando toda a sua indignação e incredulidade em face de um mundo que não o pertence. Ele busca através do vocativo uma explicação de como o homem; "imagem e semelhança"; pode chegar a este ponto. Ele busca no seu próprio eu algo que não consegue decifrar. Onde iremos parar em face do que presenciamos? O que podemos fazer para que haja realmente mudanças? Continuaremos neutros e apáticos? Esta foi uma maneira que encontrei para manifestar a degradação humana em si e que está sempre presente em nosso cotidiano. Este comentário foi baseado em uma monografia desenvolvida por mim; em um curso de pós-graduação na UERJ. A monografia intitula-se "A metáfora em Bandeira".
Rose
Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores Naquelas tardes fagueiras, À sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! Respira a alma inocência Como perfumes a flor, O mar é lago sereno, O céu um manto azulado, O mundo- um sonho dourado, A vida_ um hino de amor!
Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria Naquele ingênuo folgar! O céu bordado de estrelas, A terra de aromas cheia; As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar! Oh! dias da minha infãncia! Oh! meu céu de primavera. Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora Eu tenha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã! Livre filho das montanhas, eu ia bem satisfeito, da camisa aberta ao peito _pés descalços, braços nus_ Correndo pelas campinas A roda das cachoeiras atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis! Naqueles tempos ditosos ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar, Rezava as Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo, adormecia sorrindo E despertava a cantar! Casimiro de Abreu
Comentando o texto: Nesse texto, o poeta compara o tempo de agora com um tempo do passado, o da infãncia. O presente, idade adulta, é um tempo de sofrimento, mágoas. A infãncia aparece como um tempo de felicidade, em que o poeta se achava em harmonia com a natureza, com os outros e consigo mesmo. Observe que todas as figuras referentes á natureza ressaltam a harmonia dos elementos naturais e a perfeita integração do homem com eles: tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais, mar= lago sereno; céu= manto azulado; noites de melodia, céu bordado de estrelas, terra de aromas cheia, ondas beijando a areia, lua beijando o mar etc. Dos outros (mãe e irmã) recebia beijos e abraços. Podemos perceber na segunda estrofe do poema, uma linguagem totalmente metafórica e sinestésica.A sinestesia está presente em todos os órgãos dos sentidos.Visão, audição, olfato, tato e paladar. A visão de um lugar lindo, maravilhoso. O barulho das ondas do mar, e outros elementos do poema exemplifica a audição. O toque nos elementos da natureza, o tato.O paladar insere-se profundamente no contexto na última estrofe como também o olfato. "Ia colher as pitangas / Trepava a tirar as mangas..." O percurso figurativo de suas atividades mostra que o poeta estava em paz consigo mesmo: satisfeito, camisa aberta ao peito, pés descalços, braços nus, correndo pelas campinas, á roda das cachoeiras, adormecia sorrindo, despertava a cantar etc. o passado é pois figurativizado como tempo de beleza, alegria, felicidade, enquanto o presente, apontado pelo poeta como tempo de mágoas, poderia receber a figurativa oposta.
Rose
O rei da brincadeira - ê José O rei da confusão - ê João Um trabalhava na feira - ê José Outro na construção - ê João A semana passada João resolveu não brigar No domingo de tarde saiu apressado E não foi pra ribeira jogar Capoeira Não foi pra lá pra ribeira Foi namorar O José como sempre no fim de semana guardou a barraca e sumiu Foi fazer no domingo um passeio no parque Lá perto da Boca do Rio Foi no parque que ele avistou Juliana Foi ele que viu Juliana na roda com João Um rosa e um sorvete na mão Juliana, seu sonho, uma ilusão Juliana e o amigo João O espinho da rosa feriu José E o sorvete gelou seu coração O sorvete e a rosa-ô José A rosa e o sorvete - ô José Oi dançando no peito _ô José Do José brincalhão-ô José O sorvete e a rosa -ô José A rosa e o sorvete -ô José Oi, girando na mente - ô José Do José Brincalhão - ô José Juliana girando - oi girando Oi, na roda gigante - oi, girando Oi, na roda gigante - oi, girando O amigo João- joão O sorvete é morango - é vermelho Oi, girando e a rosa - é vermelha Oi, girando, girando - é vermelha Oi, girando, girando- olha a faca! Olha o sangue na mão - ê José Juliana no chão- ê José Outro corpo caído- ê José seu amigo João- ê José Amanhã não tem feira- ê José Não tem mais construção - ê João Não tem mais brincadeira - ê José Não tem mais confusão - ê João by Gilberto Gil Comentando o texto: Se considerarmos só o título da música "Domingo no Parque", podemos achar que se trata de uma canção festeira, ingenua. Mas não é bem assim. Vocêjá viu um jogo de capoeira?Aliás um jogo é uma maneira de falar. "Fulano joga capoeira". mas a capoeira pode ser uma luta, com um sistema definido de ataque e defesa. Digamos que a letra de Gil mostra essa ambiguidade da capoeira. O ritmo da composição lembra em tudo o gingado entre os escravos bantos ( de angola) no Brasil colõnia. E o que está em jogo aqui, é uma luta de morte. "Domingo no Parque" a maneira de gilberto Gil, é fundamentalmente uma canção narrativa, fazendo uso do tempo verbal no gênero narrativo, que é pretérito: Trabalhava, resolveu, foi, entre outros. Os personagens são dois amigos: José, o rei da brincadeira e João, o rei da confusão.O acontecimento trágico da narrativa ocorrerá justamente num dia em que esses personagens contrariam atributos:porque João escolhe a brincadeira, José se encaminha para a confusão, para a briga. Podemos observar na segunda estrofe um recurso utilizado em toda a a letra: a anáfora, repetição de palavras. Note que em "não foi pra lá , pra ribeiro, foi namorar" .O verbo ir aparece numa frase afirmativa, que é uma adversativa, com omissão do mas:" não foi pra lá(...) namorar. O nó da ação, ou seja, o seu ponto crítico, é que vai precipitar o acontecimento trágico por esse desvio da rotina; João não vai brigar, mas vai namorar. E José?O corte na ação agora se concentra nele. Observamos isto na terceira estrofe. A reprodução do incidente se dá aos arrancos por descontinuidades sintáticas e repetições: foi, avistou, foi que ele viu na roda com João.É como se a descoberta de José ocorre em partes: ele avista Juliana, mas ainda não v~e tudo. O verbo 'ver" aqui ganha sentido de abarcar a totalidade, por oposição ao avistar que indica olhar segmentado. É preciso lembrar que não estamos diante de um poema, mas de uma canção, em que letra e melodia se articulam e que está sujeita a variações de um improviso. Conforme o arranjador ou intérprete, as suas características podem ser enfatizadas. assim, quando ouvimos Gil cantar, primeiro temos o verbo intransitivado, depois temos"ele viu Juliana na roda com João" em que verbo ver torna-se transitivo. essa interrupção da frase expressa de alguma maneira a raiva de José diante do quadro: o amigo com sua amada.ele tem um choque, como também se torna impotente diante de toda a carga dram´tica da situação. Os objetos inocentes, que Juliana traz na mão: a rosa e o sorvete, vão crescer e adquirir símbolos que serão mais inocentes. Esses objetos típicos de um alegre domingo de parque, ganham contornos de pesadelo. São metonímias, ou seja, são partes que valem pelo todo, são índices de algo maior. Isto é intenso e nos mostra através de repetições, a anáfora. Esta anáfora cruzada denomina-se quiasmo Tudo gira literalmente, inclusive a cabeça de José, que vai deixando de ser brincalhão. Há uma grande proporção aqui. Quanto mais brinca João, quanto mais gira a rodagigante, mais José vai se tornando mesmo beligerante. A seriedade de um aumenta conforme a disposição jovial e brincalhona do João. A repetição do verbo girar mais o uso do gerúndio produzem um efeito hipnotizante.A roda-gigante põe a girar também a cabeça e as idéias de José. A visão terrível desencadeia a luta toda descrita por metonímias: a roda girando, a faca, o sabor de morango vermelho como a prenunciar o desatre que advirá. O ritmo da capoeira, mistura de jogo e luta, é comentado nesta canção. Visualize um capoeirista jogando um movimento de avanço e recuo, que descreve o episódio de luta de morte entre João e José. A segunda-feira é de cinzas: amanhã não tem feira nem brincadeira. Nem João, nem José.
Meus amigos do multiply, resolvi postar uma música com uma carga dramática muito grande para quebrar um pouco a rotina dos textos que têm a ver comigo.Espero que gostem.
Rose®2007
Pássaro da lua, que queres cantar, nessa terra tua, sem flor e sem mar? Nem osso de ouvido Pela terra tua. teu canto é perdido, pássaro da lua... Pássaro da lua por que estás aqui? Nem a canção tua precisa de ti! Cecíla Meireles
Comentando o texto: Mesmo àquele que folhear o livro Vaga Música não passará despercebido que as formas poéticas mais utlizadas é a da canção neste livro. Podemos citar algumas formas como: "Pequena canção da onda" "canção da menina antiga" "canção excêntrica", "canção do caminho","canção melancólica" entre muitas outras semelhantes. Essa forma é na verdade largamente usada em toda a obra de Cecília Meireles, não constituindo peculiaridade apenas nesse livro.A canção seria a manifestação mais importante no gênero lírico.Seria o lugar onde a essência desse gênero é realmente livre, sendo amplamente explorado pela poeta. Podemos dizer que este tipo de poesia é importante na literatura brasileira. Faremos aqui uma breve análise da poesia, mostrando assim algumas características da canção. A forte atuação, o ritmo, a impregnação da realidade exterior pela emoção, o apagamento dos fatos, a indeterminação ao tempo e ao espaço. Essas características se ligam intimamente. Assim, a musicalidade mais enfática nesta canção indica a fusão entre o eu e o mundo exterior. A alma invade o mundo objetivo, que aparece como reflexo daquela. Isso leva a um apagamento dos contornos da vida exterior e, consequentemente nas frases mais brandas, mais musicais, pois, mais do que definir um acontecimento, busca-se se criar uma atmosfera emocional, para o que a música contribui fortemente. Esse relaxamento dos contornos da vida exterior é evidente como também o relaxamento das noções de tempo e espaço. Elementos sempre difíceis na poesia de Cecília. Podemos dizer que as poesias da autora se desenvolvem no sem-tempo e no sem-espaço. É o sem- tempo e sem-espaço da vida interior. Parece complicado não? Mas é só você leitor viajar na poesia e sentir. Podemos dizer que a poesia é composta de três estrofes, com 4 versos cada.Versos estes pentassílabos.No caso desta poesia que é culta, visa a um único objetivo: maior concentração de conteúdos nos valores rítmicos, entre outros. Por que dizemos concentração de conteúdos? Porque nos pequenos versos de cinco sílabas o conteúdo é desdobrado, em todas as suas conexões lógicas. A poesia em si é obtida por meio da força sugestiva das palavras, cuja sonoridade, relevo e ritmo é bastante diversificado na composição analisada. O poema se inicia com uma pergunta sobre a matéria da canção: o que há para cantar se não na "terra tua", "nem flor", "nem mar", elementos que desde a mais remota época servem à poesia? Estes elementos tipicamente poéticos se basearam em simples e belas cantigas. A época em si não está inserida na poesia. A segunda quadra verificará a ausência de um destinatário ao qual se dirija o pássaro e concluindo a inutilidade do canto, pois ele é "perdido". DEvemos entender esse perdido em sentido literal na ausência de um ouvido-pedra, de um ouvido-calço, de um ouvido- osso, a música não se fixa. Não há para esse canto, nem matéria nem ouvinte. E a estrofe final põe em questão até mesmo a posição do cantor. A canção sem ter o que falar e sem ter para que falar, talvez nem precise de seu cantor.Reparemos aqui como a resposta para lua/tua que percorre o poema e que contribui para a suavidade sonora, melhor dizendo para a sua circularidade sonora sendo assim decisiva a repetição "pássaro da lua" no começo e no fim da estrofe como já dissemos. As palavras lua e tua sãp palavras que adensam mais e mais a tmosfera do poema, coincidindo assim com a conclusão que acompanha o cantor nesta canção. O pássaro da lua talvez seja o mais solitário dos seres. Analisamos aqui todas as características citadas anteriormente. Estas características não apareceriam com com extrema força no canto de um pássaro da lua?Viria a ser portanto, o símbolo de uma situação extrema, ou mesmo um ideal de canção.Se livraria de todos os estorvos que a impedem de ser a mais pura música: o osso de ouvido e de conteúdo. Sendo assim a poesia implica a inuttilidade até mesmo do eu, do sujeito cantor. Enfim, o poema parece apontar par algo além disso tudo, criando assim uma situação imaginária em que o próprio cantor aparece dissolvido. Uma situaçao de negatividade e desolamento, em que não há nem flor, nem mar, nem ouvido e nem mesmo paradoxalmente a libertação total dos cantos. Literatura é isto: uma análise profunda do que se está lendo. Mas isto não impede a você leitor de ter a sua visão do poema.Por ser plurisignificativo. Rose
 
É pau, é pedra, é o fim do caminho é um resto de toco, é um pouco sózinho é um caco de vidro, é a vida é o sol é a noite, é a morte, é um laço, é o anzol é peroba no campo, é o nó da madeira caingá, candeia, é o Matita Pereira é madeira de vento, tombo da ribanceira é o mistério profundo é o queira não queira é o vento ventando, é o fim da ladeira á a viga é o vão, festa da cumeeira é a chuva chovendo, é conversa ribeira das águas de março, é o fim da canseira é o pé, é o chão, é a marcha estradeira passarinho na mão, pedra de atiradeira Uma ave no céu, uma ave no chão é um regato, é uma fonte é um pedaço de pão é o fundo do poço, é o fim do caminho no rosto o desgosto,é um pouco sozinho É um estrepe, é um prego é uma ponta, é um ponto é um pingo pingando é uma conta, é um conto é um peixe, é um gesto é uma prata brilhando é a luz da manhã, é um tijolo chegando é a lenha, é o dia, é o fim da picada é a garrafa de cana, o estilhaço na estrada é o projeto da casa, é o corpo na cama é o carro enguiçado, é a lama, é a lama é um passo, é uma ponte é um sapo, é uma rã é um resto de mato, na luz da manhã são as águas de março fechando o verão é a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho é um resto de toco, é um pouco sozinho é uma cobra, é um pau, é João, é José é um espinho na mão, é um corte no pé são as águas de março fechando o verão é a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho é um resto de toco, é um pouco sózinho é um passo, é uma ponte é um sapo, é uma rã é um belo horizonte, é uma febre terçã são as águas de março fechando o verão é a promessa de vida no teu coração É pau, é pedra, é o fim do caminho é um resto de toco, é um pouco sozinho É pau, é pedra, é o fim do caminho é um resto de toco, é um pouco sozinho Pau, pedra, fim do caminho resto de toco, pouco sozinho. by Tom Jobim Comentando o texto:
Chega dezembro e com ele vêm o Natal, o reveillon, as férias e depois o carnaval. Na verdade, o ano só se inicia mesmo depois de encerradas as folias populares.Isto que nos mostra esta bela canção de Tom Jobim. Nada melhor que as refrescantes águas de março que esfriam nossa cabeça para enfrentar mais um ano de luta.É verdade que em cidades como São Paulo e Rio, ocorrem problemas graves como os de saneamento básico e outros, e essas águas são muitas vezes , sinõnimo de destruição e morte. Podemos ver isto claramente nos noticiários da TV. Mas isto não é culpa da natureza: cabe à cultura (no caso, os administradores públicos, urbanistas, engenheiros e políticos) proteger e cuidar da sociedade como um todo. Certamente Tom Jobim, não tinha em mente esta catástrofe, que a chuva deixa. Ele tinha em mente, mostrar toda a paisagem rural com toda a sua simplicidade. Podemos ver isto claramente com o conjunto de elementos inseridos nesta canção: pau, pedra,, toco, peroba, nó da madeira...São elementos de um percurso natural, que quase não se vê a ação do homem.O quase que dissemos vai por conta dos objetos: "caco de vidro", elemento que implica tecnologia, "candeia"; objeto rústico para nos indicar que neste lugar tomado pelas águas de março, não tem luz elétrica, é anzol de artefato humano, tem a ver com uma forma primitiva, relação com a natureza, ou seja, a favorecida em tempos mais chuvosos, em que os rios ficam cheios. Os "caingás" e o 'matita pereira" , são referências e uma cutura à natureza. Podemos perceber que estamos a léguas dos centros urbanos, num espaço onde ainda vigoram lendas de personagens folclóricas, populações pré-modernas, como os índios, os cacos, vida e morte, sol e noite. A letra é basicamente descritiva, repertoriando uma série de elementos que visam a atmosfera desencadeada pelas chuvas num ambiente mais rural.Sendo descritiva , não conta com uma narrativa dramática, um desfecho. Esta estrutura descritiva é enfatizada pela presença do verbo ser, um verbo que serve para dar atributo, qualidade a algo.Mas talvez tenha um sentido ambíguo aqui. A letra já se inicia sem mencionar o sujeito. Incia-se com o verbo e vai até o fim, com variação de predicativos. Imaginando que todos os predicativos inseridos significam uma só coisa: as águas de março. Representa assim a amosfera úmida de março. Sentir o cheiro da terra molhada, imaginar o corpo se refrescando e descansando. Podemos observar que em toda a letra, o verbo ser no singular, concordando assim com seus respectivos predicativos. A forma é, dá muito mais agilidade á música, estando muito mais na ponta da língua. Podemos observar que o título da música, quase não se insere na letra, com isto é mais lógico do que sintático. Se observarmos atentamente o final da canão, Tom Jobim coloca bonitinho o verbo ser no plural, concordando assim com águas de março. "são as águas de março..." A concordância no plural tem o efeito de um resumo, todos os elementos relacionados nesse contexto formam as águas de março. Podemos observar no entanto, que o verbo no singular retorna: é a promessa de vida como se quisesse dar um peso agora´` promessa de vida do que as águas de março. Podemos dizer também com isto que Tom Jobim quiz enfatizar os elementos relacionados aos aspectos vitais ligados às águas de março. Há em toda composição um espécie de desejo de fazer o inventário de um mundo já meio fantástico entre os homens urbanos, para quem saci e índio têm algo em comum. tudo isto é banhado pelas águas de março que fecham o verão. Podemos perceber que os elementos construídos pelo homem vão aumentando ao longo da canção. A palavra projeto é bastante ligado ao plano de cultura. A natureza é o lugar do espontãneo que é o oposto de projeto, do cálculo. Não estamos unm território tão primitivo. Trata-se de um mundo entre a natureza e a cultura. É um mundo intermediário de lama e projeto, e onde a chuva cai como uma bênção. O projeto, no entanto respeita o ciclo natural: só é possível começar de fato a construção da casa, quando cessarem as chuvas. Com a terra seca e o outono então uma nova vida. Vamos orar e pedir para que estas águas não sejam sinônimo de despropriação e relento.
 | A onda | Nov 6, '07 6:40 AM for everyone |
a onda anda aonde anda a onda? a onda ainda ainda anda aonde? aonde? a onda a onda Manuel Bandeira
Comentando o texto: Não poderia deixar de postar este texto tão lindo de Bandeira por gostar tanto do mar. O que mais nos chama a atenção já na primeira leitura do poema, é o uso de paranomásias, ou seja palavras parecidas. a palavra chave com variações na fonologia e "onda" que dá título ao poema. Esta busca, por meio justamente do emprego das paranomásias, de anáforas e de combinação múltipla de um repertório pequeno de vocábulos imitar o movimento da onda. As palavras vão descrevendo uma sonoridade arredondada, que produz uma espécie de letargia, de embriaguez. Se ao lermos em voz audível, teremos a sensação de estar recitando um "mantra" ou espécie de ladainha. Se ao lermos muitas vezes, poderemos cair num sono gostoso. O que se pretende realmente obter é uma fluidez sonora, em que as palavras percam sua singularidade e se assemelham cada vez mais. Mesmo que isso comprometa a regência verbal. A construção "aonde anda a onda?" talvez cause espanto. Não se deveria perguntar "para onde anda a onda?" Sim, seria a forma correta. A simples presença do para quebraria toda a musicalidade do poema e tornaria um poema insensível. A sensiblidade de Bandeira, não admitiria somente seguir um padrão gramatical. Podemos observar que os vocábulos escolhidos, selecionados, exprimem as flutuações do mar, o ritmo da água, tornando o poema tão líquido e musical. Observamos ainda o interessante paralelismo "ainda onda/ ainda anda". A onda é onda quando anda, a onda é onda quando em movimento. Se ela pára, não é mais onda, não anda. A repetição final do poema a onda a onda parece dar um murro em ponta de faca, parece se quebrar no rochedo ou morrer na praia. E a repetição indica que a linguagem também já não caminha,... não progride, mas está paralisada como a onda, não mais onda porque não mais se movimenta.
Rose
...E assim vedes, meu irmão, que as verdades que vos foram dadas noGrau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de adepto Menor, são ainda que opostas, a mesma verdade. DO RITUAL DO GRAU DE MESTRE DO ÁTRIO NA ORDEM TEMPLÁRIA DE PORTUGAL. Conta a lenda que dormia Um princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada. Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à princesa vem. A princesa adormecida, Se espera, dormindo espera. Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, um grinalda de hera. Longe o infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado. Ele dela é ignorado. Ela para ele é ninguém. Mas cada um cumpre o Destino Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada. E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro E, vencendo, estrada e muro, Chega onde em sono ela mora. E, inda tonto do que houvera, À cabeça em maresia, ErRgue a mão e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa Comentando o texto: O poema acima faz uma alusão aos amantes mitológicos Eros e Psique. Eros é o Deus romano do amor e desejo.Psique significa "Alma" em grego, uma mulher mortal, bela. O mito constitui-se como metáforas básicas da experiência, ou seja, sabedoria acumulada. Podemos observar que o poema apresenta forte caráter narrativo, com a ocorrência de personagens, enredo e desfecho, como já fica sugerido pela expressão inicial "conta a lenda". Compreendemos o texto como sendo a ação de uma força externa, distinta da consciência do Infante e da consciência da Princesa, que faz haver uma certa estrada. Estrada essa que endossa a visão de mundo que pode ser expressa pelo ditado "Caminhante se não há caminho, o caminho se faz ao andar" (marca enfática neste poema). Isto nos mostra claramente que o texto se solidariza com a idéia de que não há caminho predestinado, nem certo, nem errado, mas a perseverança e a força de vontade é que torna esse caminho ou estrada longa a partir da existência de dois seres para que cada tenha conhecimento pleno do outro. As metáforas existentes no texto, mostram uma nova forma de cantar ou louvar o amor, para que haja a plena realização do potencial de cada um. Ao lermos este poema em voz audível, podemos perceber que este louvor é intenso pela presença marcante dos verso hectassílabos e das palavras paroxítonas no final de cada verso. Num texto profundamente literário como este, é preciso ler e perceber que nas entrelinhas é pluri-significativo. Atualiza assim de uma forma implícita a história de Romeu e Julieta, de Shakespeare, pois novamente vemos o encontro, ou o amor, impossível em face do mundo que impões circunstãncias e limitações familiares, sociais, culturais, religiosas e outras. Podemos obsevar também neste texto que ele nos apresenta uma coerência interna e uma visão de mundo própria. O texto pode dialogar com outro texto fixado pela escrita e traduçao oral, ocorrendo desta forma o fenõmeno da intertextualidade. Intertextualidade esta presente no poema pois dialoga com narrativa como a de Bela Adormecida, em que há um conflito entre dois pólos: o mal e o bem, o qual é o amor que a tudo redime. Em Eros e Psique, acontece a busca e a espera, o exterior e o interior, o desconhecimento e a descoberta_são ainda que opostos, pólos de uma mesma unidade. Unidade esta que nos leva a um cenário: apenas a união dos amantes em um único e definitivo destino, significando a vitória do amor. Eros e Psique pode nos dizer muito sobre quem somos. Que o feminino e o masculino está dentro de cada um, para ser vivido ao seu tempo, ao seu modo... com amor por ambos. Podemos dizer que a mitologia é a penultima verdade_ penúltima porque a última não pode ser transportada em palavras. Está além das palavras e imagens, por isso é a penúltima verdade.
Rose
Vejam esta maravilha de cenário É um episódio relicário Que o artista num sonho genial Escolheu para este carnaval E o asfalto como passarela será a tela do Brasil em forma de aquarela Passeando pela cercanias do Amazonas Conheci vastos seringais No Pará, a ilha de Marajó E a velha cabana do Timbó Caminhando ainda um pouco mais Deparei com lindos coquerais Estava no Ceará, terra de Irapuã De Iracema e tupã Fiquei radiante de alegria Quando eu cheguei na Bahía Bahia de Castro alves, do acarajé Das noites de magia, do candomblé Depois de atravessar as matas do Ipu Assisti em pernambuco A festa do frevo e do maracatu Brasília tem o seu destaque Na arte, na beleza, e arquitetura Feitiço de garoa pela serra São Paulo engrandece a nossa terra Do leste, por todo o Centro-Oeste Tudo é belo e tem lindo matiz E o Rio dos sambas e batucadas dos malandros e mulatas De requebros febris Brasil, estas nossas verdes matas Cachoeiras e cascatas De colorido sutil E este lindo céu azul de anil Emoldura em aquarela o meu Brasil.
Silas de Oliveira  Comentando o texto: Se atentarmos para letra deste samba-enredo, percebemos que o poeta exalta a pátria em toda a sua plenitude. Isto faz-nos reportar a um dos estilos de época da Literatura Brasileira: O Romantismo em sua primeira fase, a qual se denominava Indianista ou Nacionalista. Uma das características principais deste estilo é a exaltação da Pátria. O poeta em todo o seu egocentrismo, em seu lirismo, ele busca o sentimentalismo para exaltar e enaltecer. Nesta bela canção o poeta não só canta a pátria como também caracteriza e enfatiza cada região deste Brasil imenso, cheio de riquezas. Podemos observar como ele enfatiza o folclore de cada região, como também suas riquezas e sua grandeza em paisagens resplandecentes. Ao escrever esta bela canção, teve um cuidado primorozo com as rimas (a maioria paralelas) e os vocábulos. Ao termos uma visão global da música, e pintarmos em uma imensa tela, ficaria esplêndida! Cada região do Brasil, com suas características folclóricas e paisagísticas. Realmente uma linda aquarela! Uma relíquia!. Como diz o próprio Silas Enfim, uma representação neo-romântica de aspectos naturais que caracterizam um imaginário idealizado do Brasil.
Rose
Primeiro de maio Etimologia no suor do rosto o gosto do nosso pão diário sal: salário
José Paulo Paes
Comentando o texto: Neste pequenino texto, mas com grande contéudo, é preciso explicar por que o poema se chama etimologia e qual é o seu significado como um todo. A data colocada no início indica, segundo nosso conhecimento do mundo, o dia do trabalho. Os três primeiros versos remetem à maldição biblica de que o homem comeria o pão com o suor do rosto. O último verso aciona um conhecimento linguístico referente à origem da palavra salário. Salário era a ração de sal dada a cada soldado como compensação pelo seu trabalho. Daí passou a significar " remuneração de um trabalho".O termo etimologia por sua vez, significa "ciência da origem e filiação das palavras". Assim, o texto a partir desses dados do conhecimento de mundo, do conhecimento do texto bíblico e do conhecimento linguístico referente à palavra sal, ganha sentido: a origem do dia do trabalho está na maldição bíblica que condenou o homem a trabalhar. O trabalho está ligado a salário tanto no sentido atual de 'remuneração", quanto no sentido primitivo de "ração de sal", dado que o suor, metonímia do trabalho (efeito pela causa), é salgado.
Rose
 | Debussy | Oct 17, '07 8:00 AM for everyone |
Para cá, para lá... Para cá, para lá... um novelozinho de linha ... Para cá, para lá... Para cá, para lá... Oscila no ar pela mão de uma criança (vem e vai...) Que delicadamente e quase a adormecer o balança _Psiu..._ Para cá, para lá... Para cá e... _ O novelozinho caiu.
Manuel Bandeira
Comentando o texto: O poeta vai acompanhando o movimento pendular de alguma coisa. Os versos, como um metrônomo, têm um ritmo que acompanha o movimento:para cá, para lá...Este ritmo é interrompido e explica-se o que estava oscilando: um novelozinho de linha. Deve-se notar no entanto, que depois de anunciar o objeto, as reticências interrompem a comunicação, é como se o poeta estivesse a contemplar a criança que estava para adormecer e parasse o que ia dizer para contemplar novamente o novelozinho na mão da criança: para cá, para lá... Diz que o novelozinho oscila no ar pela mão de uma criança que delicadamente e quase a adormecer o balança.Entre os dois versos da fala do poeta, há um verso, que aparece entre parênteses, a indicar que, enquanto o poeta fala, o movimento do novelo continua. Ele mostra que seu vaivém prossegue sempre igual. As reticências revelam que o movimento é contínuo. Observamos que quando a criança está quase a adormecer, o poeta impede nossa manifestação com um psiu , para não acordarmos a criança adormecida. O ritmo do verso continua a recriar o ritmo do balanço. A interrupção do verso seguinte, mostra o movimento apenas numa direção, significa que a criança dormiu e, portanto, derrubou o novelo. O último verso enfatiza isto. O título do poema é o nome do compositor francês Claude Debussy que abriu um universo sonoro inteiramente novo, em que a sugestão ocupou o lugar de uma construção temática bem definida. Um linda homenagem e melhor analogia ainda...!
Não há como começar um texto sobre Bem-Vindos sem provocar uma imensa vontade de sair comprimentando a todos com que nos cruzamos , abraçar os amigos, perdoar a quem ainda não esteja, brincar com o cachorro e, quem sabe, reavaliar sua condição e tentar converter-se em uma pessoa melhor: E assim, não achei nada melhor que este texto, que fala sobre "Conquistas"

CONQUISTAS Acredite em si mesmo Viva os momentos como se fossem únicos Saboreie os segundos como se fosse perdê-los, Desfrute o sol que brilha inigualável... Busque seus sonhos... Tudo é mutante e mutável... Corra atrás da estrela cadente, Alcance a lua no infinito céu... Abrace, Beije, Apaixone-se, Ame... Queira ir além do possível. Ultrapasse, Apalpe as nuvens no esplendor do céu.... Derrame sorrisos no espaço laço... Desperte desta noite insone e nebulosa Abarque os atalhos e encruzilhadas Transforme em estrada reta, curvas sinuosas... Faça brilhar a luz do túnel.. Acredite, Siga, Sorria... Viva! Fale, Grite, Conquiste
Queira o total indivisível. Seja como a comunhão universal Persiga
...A felicidade é construída...
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