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Blog EntryMeus oito anosFeb 28, '08 6:09 AM
for everyone

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
debaixo dos laranjais!

 
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
Respira a alma inocência
Como perfumes a flor,

O mar é   lago sereno,
O céu  um manto azulado,
O mundo- um sonho dourado,
A vida_ um hino de amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria
Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia;
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

 
Oh! dias da minha infãncia!
Oh! meu céu de primavera.
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora
Eu tenha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

 Livre filho das montanhas,
eu ia bem satisfeito,
da camisa aberta ao peito
_pés descalços, braços nus_

Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras
atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

 Naqueles tempos ditosos
ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar,

Rezava as Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Casimiro de Abreu


 

Comentando o texto:

 

Nesse texto, o poeta compara o tempo de agora com um tempo do passado, o da infãncia.
O presente, idade adulta, é um tempo de sofrimento, mágoas. A infãncia aparece como um tempo de felicidade, em que o poeta se achava em harmonia com a natureza, com os outros e consigo mesmo.

Observe que todas as figuras referentes á natureza ressaltam a harmonia dos elementos naturais e a perfeita integração do homem com eles: tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais, mar= lago sereno; céu= manto azulado; noites de melodia, céu bordado de estrelas, terra de aromas cheia, ondas beijando a areia, lua beijando o mar etc. Dos outros (mãe e irmã) recebia beijos e abraços.

Podemos perceber na segunda estrofe do poema, uma linguagem totalmente metafórica e sinestésica.A sinestesia está presente em todos os órgãos dos sentidos.Visão, audição, olfato, tato e paladar.

A visão de um lugar lindo, maravilhoso. O barulho das ondas do mar, e outros elementos do poema exemplifica a audição. O toque nos elementos da natureza, o tato.O paladar insere-se profundamente no contexto na última estrofe como também o olfato.  "Ia colher as pitangas / Trepava a tirar as mangas..."

O percurso figurativo de suas atividades mostra que o poeta estava em paz consigo mesmo: satisfeito, camisa aberta ao peito, pés descalços, braços nus, correndo pelas campinas, á roda das cachoeiras, adormecia sorrindo, despertava a cantar etc. o passado é pois figurativizado como tempo de beleza, alegria, felicidade, enquanto o presente, apontado pelo poeta como tempo de mágoas, poderia receber a figurativa oposta.


Rose

 

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